Por que guerra na Ucrânia aumenta preço da gasolina e do diesel no Brasil: resumo

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A Petrobras aumentou os preços da gasolina (18,8%), do gás de cozinha (16,1%) e do diesel (24,9%) na quinta-feira (10/03). Entenda por que neste resumo da BBC News Brasil e clique nos links destacados para se aprofundar nos temas.

A alta do petróleo por causa da guerra na Ucrânia chega ao Brasil por dois motivos: a Petrobras importa petróleo e derivados e repassa reajustes por conta da política de Preço de Paridade de Importação, adotada em 2016.

O barril ficou mais caro como resultado da guerra e medidas como as sanções dos Estados Unidos e da União Europeia contra o petróleo e o gás exportados pela Rússia. As sanções tendem a reduzir a quantidade desses produtos no mercado internacional e a aumentar preços. A Rússia é o segundo maior produtor e exportador de petróleo do mundo.

O Brasil produz mais petróleo do que consome e se declara “autossuficiente”. Porém, devido ao tipo de petróleo extraído e a insufiência na capacidade de refino, ainda precisa importar tanto petróleo cru quanto derivados como a gasolina. Isso faz com que a Petrobras sinta imediatamente o efeito de qualquer mudança no valor que paga pelo petróleo no exterior. A cotação do dólar também tem impacto imediato.

Mas isso não explica tudo. O repasse da alta ocorre porque a Petrobras adotou o chamado preço de paridade de importação (PPI) em 2016, durante o governo de Michel Temer.

O modelo foi adotado após a Petrobrás passar anos praticando preços controlados, sobretudo no governo de Dilma Rousseff (PT).

O controle de preços era uma forma de o governo segurar a inflação, mas causou grandes prejuízos à petroleira que não podia repassar por completo aos consumidores o preço mais alto que pagava pelo petróleo importado.

Em 2018, durante a greve dos caminhoneiros, o modelo de paridade passou a ser bastante questionado. De um lado, na visão à direita, a paridade é vista como forma de manter a Petrobras competitiva e lucrativa. Isso tende a manter a empresa saudável com capacidade, por exemplo, de investir. A crítica feita pela esquerda é de que a Petrobras não deveria ter o lucro de acionistas como prioridade, e sim o benefício que pode trazer ao consumidor e à sociedade.

Mas, naquela ocasião, o governo optou por manter a política de paridade, subsidiando temporariamente o diesel através de um desembolso de R$ 4,8 bilhões.

Agora, o modelo de paridade está no centro do debate eleitoral com candidatos como Lula (PT) e Ciro Gomes (PDT) prometendo mudar a política de preços da Petrobras. O presidente Jair Bolsonaro (PL) também passou a fazer coro com a crítica da esquerda dizendo que a adoção da paridade tinha havia sido um erro.

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